Modelo engloba inventário de emissões, controle de qualidade do ar, capacitação produtiva e tratamento digno a catadores e cordeiros, entre outras ações
Salvador tem o maior carnaval de trios elétricos do mundo, reconhecido pelo Guinness World Records, e deve atrair mais de 65 milhões de foliões em 2026, segundo o Ministério do Turismo. Ao mesmo tempo em que movimenta a economia, o evento também gera um volume significativo de resíduos e emissões de carbono. Diante desse cenário, uma parceria pioneira entre o BritishCouncil e a LAJE Sustentabilidade vai implementar no desfile do Navio Pirata do Carnaval de Salvador de 2026 um modelo inédito, sustentável e descarbonizado, com foco na redução e compensação de emissões, economia circular e inclusão socioambiental.
“Grandes celebrações urbanas precisam começar a incorporar critérios ambientais desde o planejamento até o pós-evento. Essa proposta coloca sustentabilidade como parte da operação do evento e não como uma ação compensatória isolada”, afirma Rafael Ferraz, Head de Artes do British Council no Brasil.
A iniciativa, desenvolvida pela LAJE Sustentabilidade, adota uma abordagem integrada de gestão ambiental, com a realização de inventário de emissões de gases de efeito estufa, além do monitoramento do consumo de energia e da qualidade do ar ao longo do percurso do desfile. Após o evento, estão previstas ações de compensação de carbono, de acordo com metodologias reconhecidas internacionalmente.
No eixo de economia circular, haverá coleta seletiva com segregação na fonte e parceria com cooperativas de catadores para a triagem e destinação correta dos resíduos. Também estão programadas ações específicas de logística reversa, como a coleta de óleo de cozinha usado por ambulantes e o reaproveitamento de materiais utilizados no desfile, que incluem lonas do trio elétrico para doações a ONGs de costura solidária.
“Nosso objetivo é olhar para o Carnaval de forma integrada, entendendo que impacto ambiental e impacto social caminham juntos. Não basta reduzir emissões, é preciso cuidar das pessoas que fazem essa festa acontecer. Ao promover geração de renda, oferecer condições dignas de trabalho e garantir a destinação correta dos resíduos, mostramos que é possível construir um Carnaval sustentável em todos os aspectos”, afirma Leide Laje, CEO e fundadora da LAJE Sustentabilidade.
O projeto se estrutura a partir de parcerias com organizações especializadas, cooperativas locais de catadores, empresas do setor de resíduos e a Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal de Salvador . Estão previstas ações de capacitação e tratamento digno para catadores, ambulantes e outros trabalhadores do Carnaval, com orientações técnicas, apoio operacional e fornecimento de equipamentos de proteção e reforço alimentar. Os ambulantes participam ainda de programas de coleta de óleo e logística reversa, o que fortalece a geração de renda, qualificação prática e melhores condições de trabalho durante o evento.
“O BaianaSystem, com sua enorme capacidade de mobilizar milhares de pessoas, mostra que através do posicionamento, da arte e de ações práticas é possível ser mais sustentável e reduzir impactos socioambientais na festa. A parceria com o British Council foi fundamental para viabilizar e fortalecer essas ações no Carnaval deste ano. Desejamos que essas iniciativas inspirem outros artistas a tornarem suas apresentações mais sustentáveis”, comenta Walter Pinto, Subsecretário de Sustentabilidade e Resiliência da Prefeitura de Salvador.
No eixo de inovação ambiental, o plano contempla pesquisas para o desenvolvimento de soluções de energia limpa aplicadas a trios elétricos, com foco em viabilidade técnica, redução de emissões no médio prazo e transparência, por meio da elaboração de relatórios de impacto com indicadores ambientais e sociais.
A proposta integra a programação do Ano Cultural Brasil/Reino Unido 2025–26, programa bilateral que promove colaborações entre os dois países em áreas como cultura, educação e sustentabilidade. O projeto pioneiro em Salvador pretende gerar aprendizados e metodologias que possam ser replicados em outros grandes eventos no Brasil e internacionalmente, a fim de contribuir para uma agenda mais ampla de descarbonização e desenvolvimento sustentável.
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