O que falar do filme mais aguardado do ano, que traz a atriz americana Viola Davis em uma das interpretações mais viscerais de sua carreira.

Em cartaz desde a última quinta-feira, o longa metragem alcançou o primeiro lugar na bilheteria brasileira e se matém como os favoritos entre o público.


O filme já acumula mais de 5 milhões de reais em renda e já levou mais de 250 mil pessoas aos cinemas.

A Mulher Rei’ chegou aos cinemas brasileiros marcada pelo brilho e força da história das guerreiras Agojie, as Amazonas Dahomey, mulheres treinadas para o combate e proteção do Reino Africano de Daomé no século XIX, onde homens e mulheres ocupavam de maneira igualitária cargos de alta chefia.

Para o rei, nomear uma ‘Kpojito’ (Mulher Rei) se igualava a coroar uma rainha para sentar-se ao seu lado e comandar uma nação inteira. Sendo assim a sua escolha deveria se pautar em lealdade e inteligência, dentre tantas virtudes que ela deveria possuir.

Sob treinamento militar intenso e cheio de restrições (as guerreiras Agojie abdicavam do casamento e da maternidade em prol do bem comum e proteção ao reinado), Nanisca (Viola Davis) lidera um pelotão de mulheres que lutavam em prol das minorias libertando escravas do domínio do império Oyo no oeste africano. Massacres sanguinolentos em campo aberto pelo domínio territorial e escravagista da época eram frequentes na época.

Protegidas pelos santos da Umbanda como Ogum, Orixá guerreiro, que protege contra as guerras e as demandas espirituais negativas, as Agojie tinham seus rituais e altares onde colocavam seus Ebós-oferendas aos mortos em combate.

Dirigido por Gina Prince-Bythewood. o filme teve seu roteiro escrito por Dana Stevens e Maria Bello que se inspirou para escrever após uma viagem à Benin em 2015.

Para Viola Davis que esteve no Brasil na semana passada sua participação foi vital “A Mulher Rei era uma história importante, porque me vi nela, Eu vi a minha feminilidade nela. Vi a minha escuridão nela. Vi uma parte muito importante da história nela. Eu sempre digo que qualquer parte da história é importante, mesmo as menores partes. E acho que é uma história pela qual o mundo está faminto.”

Viola Davis diz que a história das guerreiras Agojie a atraiu, porque refletia sua própria jornada de orgulho e autoaceitação, como a que muitas mulheres vivenciam.

“Passei quatro anos em uma escola, onde eu sentia que tinha que encobrir quem eu era para ser uma grande atriz. Eu tive que realmente enganar as pessoas para acreditarem que eu não era preta no meu corpo, na minha voz; que eu tinha que ser uma espécie de protótipo do que consideramos feminino”, explica a atriz”.

A Mulher Rei quebra todas as regras. Nos corações e mentes de todas as mulheres por aí, isso é o que elas desejam. Esse é o seu desejo. O desejo por um espaço onde possam romper com todos esses limites e dizer, ‘essa sou eu, e gosto disso’, e onde ocupem o espaço do pertencimento.”