22ª edição do evento ocorreu no último domingo e premiou o filme de Marcos Pimentel também com os prêmios de Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Atuação para Bárbara Colen
O filme-denúncia “O Silêncio das Ostras”, do diretor Marcos Pimentel, convida o público a acompanhar uma das maiores tragédias humanitárias e ambientais do Brasil, o rompimento das barragens de Brumadinho e Mariana, por meio de um drama familiar em uma história marcada por despedidas.
Protagonizado pela atriz Bárbara Colen, o longa-metragem, que chegou aos cinemas no final de junho e segue em cartaz nas principais cidades do Brasil devido ao sucesso, recebeu os prêmios de “Melhor Direção”, “Melhor Fotografia”, “Melhor Longa-Metragem de Ficção” e “Melhor Atuação” (Bárbara Colen) pelo júri oficial da 22ª edição do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá – Cinemato, no último domingo (20).
Ambientado a partir da década de 80, a produção é conduzida sob o olhar da personagem Kaylane, a caçula de uma família formada por mais quatro irmãos, que vive instigada por suas reflexões e pelo medo de possíveis mudanças e perdas da sua vida. Sua mãe, Cleude (Sinara Telles), é uma mulher repleta de sonhos e perturbada por uma carga emocional de uma vida inteira arrasada pelas mineradoras. Viúva de um marido vivo, incapacitado deivo às condições insalubres de trabalho, ela vê os filhoses seguirem o caminho do pai, já que a fonte de renda da região vem da mineração.
Na trama, as partidas se tornam algo comum na vida de Kaylane, que vive e cresce na comunidade de operários. Ela vê o tempo passar em um ritmo diferente do imposto pela produtividade do capitalismo, nutrindo uma curiosidade única pela vida e permeada não só pelo instinto de sobrevivência, mas também sua sensibilidade, imaginação e sua forma singular de se relacionar com a natureza e os insetos que encontra durante suas andanças.
Sozinha em um cenário ocre e destruído pela inconsequente ação das mineradoras na região, ela se torna vítima do êxodo de sua própria história, buscando caminhos e direções para seguir em frente.
“Neste ano, completamos 10 anos da tragédia do rompimento da barragem do Fundão e seis anos da tragédia em Brumadinho. Desastres reais que silenciaram sonhos e destruíram vidas. ‘O Silêncio das Ostras’ retrata uma tragédia que virou ficção de uma dor que ainda é real”, comenta o cineasta Marcos Pimentel.
Além de mostrar toda a exploração da região e a extração da vida e nutrientes presentes na natureza e no vilarejo, a produção traz cenas reais do rompimento das barragens no estado de Minas Gerais, que resultou na morte de 270 pessoas e no despejo de mais de 12 milhões de metros cúbicos em dejetos tóxicos em uma área de cerca de 270 hectares, equivalente a 378 campos de futebol, que chegou até o mar.
Além dos prêmios no Cinemato, “O Silêncio das Ostras” ganhou o prêmio de Melhor Longa de Ficção, no Los Angeles Art Film Festival; e o de Melhor Direção e Melhor Fotografia no New York Independent FIlm Festival; além de ter sido um dos mais aclamados na 26ª edição do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, e ter sido selecionado para a edição 2025 do FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental e para a 3ª Mostra Cinema, Mineração e Meio Ambiente.
Com distribuição da Olhar Filmes, “O Silêncio das Ostras” segue com sessões em Aracaju, Belo Horizonte, Goiânia, Recife e Salvador. Consulte a programação do seu cinema local.
Sinopse: A vida de uma menina que nasceu em uma vila de operários de uma mina e tem que aprender a lidar com as sucessivas perdas que a vida lhe reservou. Depois de perder todos os seus mundos, Kaylane insiste em sobreviver e resistir. Um filme sobre crescer, sobreviver e sonhar em meio à poeira, à lama e ao silêncio.