Mostra reúne nomes como Abdias Nascimento, Simone Leigh, Kara Walker, Bispo do Rosário, Julie Mehretu e Sonia Gomes, entre outros.

De 3 de março a 3 de maio, no Centro Cultural Banco do Brasil – Brasília (CCBB Brasília), o público poderá visitar, gratuitamente, a exposição “Ancestral: Afro-Américas”, quecelebra as raízes africanas que conectam Brasil e Estados Unidos por meio da arte. A mostra reúne cerca de 130 obras de artistas negros dos dois países e propõe um mergulho na força estética, política e simbólica da ancestralidade afro-diaspórica nas Américas. O patrocínio do projeto é da BB Asset, por meio da Lei Rouanet.

Os CCBBs Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador já sediaram a exposição que chega à capital federal reafirmando a potência de um diálogo transatlântico que atravessa séculos. Entre os artistas participantes estão Abdias Nascimento, Simone Leigh, Sonia Gomes, Leonard Drew, Mestre Didi, Melvin Edwards, Lorna Simpson, Kara Walker, Bispo do Rosário, Carrie Mae Weems, Mônica Ventura e Julie Mehretu, nomes de destaque da arte contemporânea e moderna.

Com direção artística de Marcello Dantas, curadoria de Ana Beatriz Almeida e Renato Araújo da Silva, “Ancestral: Afro-Américas” está organizada em três núcleos temáticos — Corpo, Sonho e Espaço — que conduzem o público por reflexões sobre identidade, pertencimento, memória e reconstrução histórica.

No núcleo “Corpo”, as obras exploram os limites da representação e evidenciam os desafios históricos e simbólicos de retratar pessoas negras na arte, reafirmando o corpo como território de resistência e afirmação.

Em “Sonho”, marcado por questões de identidade e herança, os trabalhos expandem os limites da abstração e convidam à contemplação, promovendo um espaço de reflexão sobre memória, espiritualidade e continuidade.

Já em “Espaço”, as obras examinam propostas de construção de mundo e criação de lugares, mesclando o natural e o urbano ao tratar de temas como imigração, história e comunidade, desafiando percepções convencionais de território e pertencimento.

“Ao apoiar a exposição ‘Ancestral: Afro-Américas’, reforçamos o compromisso da BB Asset com a cultura e o seu papel fundamental na sociedade. Acreditamos que projetos como esse são uma oportunidade de conectar histórias e promover diálogos que enriquecem nossa compreensão do mundo. Para nós, investir em cultura é investir no que nos transforma e inspira,” afirma Gustavo Pacheco, Presidente da BB Asset.

Evento de Abertura

No dia 3 de março, para comemorar a abertura, os visitantes estão convidados para o pocket show com os artistas Alberto Salgado e Virgínia Rodrigues, que acontece às 19h, no teatro do CCBB Brasília. 

A apresentação musical dialoga diretamente com o conceito da mostra ao celebrar, por meio da música, a força das matrizes afro-brasileiras e afro-diaspóricas, ampliando a experiência sensorial e simbólica proposta pela exposição. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingresso, e sujeita à lotação do espaço.

Minibio dos artistas

Alberto Salgado é cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro e construiu uma trajetória marcada pela fusão entre ritmos afro-brasileiros, a percussão da capoeira e o violão clássico. Sua música dialoga com a MPB, o samba, a bossa nova e experimentações sonoras, resultando em uma identidade autoral reconhecida pela crítica. Vencedor de prêmios e com parcerias importantes na música brasileira, destaca-se por obras que unem lirismo, consciência social e forte ligação com a cultura popular. 

Virgínia Rodrigues é uma das vozes mais expressivas da música brasileira contemporânea. Cantora baiana, foi descoberta por Caetano Veloso nos anos 1990 e consolidou carreira com interpretações que transitam entre o erudito e o popular, incorporando influências do samba, do jazz e das matrizes africanas. Dona de grande extensão vocal e intensidade interpretativa, teve reconhecimento internacional desde o álbum de estreia, Sol Negro, sendo celebrada pela crítica estrangeira e por importantes veículos culturais.

Ancestralidade, metáfora e intercâmbio artístico

Para a curadora Ana Beatriz Almeida, a exposição reafirma a reconstrução de uma ancestralidade profundamente impactada pelos processos de colonização. “Nós nos deixamos guiar pelos grupos e comunidades da diáspora africana que reimaginaram o conceito de servidão nessas nações coloniais para as quais foram trazidas, contribuindo de maneira significativa para a construção da identidade nacional desses lugares. No processo de criação da humanidade em meio à brutalidade racional que forjou a modernidade, artistas afrodiaspóricos redefiniram a ética e a estética, frequentemente convergindo – apesar de estarem em territórios diferentes. Isso nos leva de volta ao conceito de ‘pessoa’ encontrado na África Ocidental: o sujeito enquanto resultado de sua genealogia ancestral”, afirma.

A narrativa curatorial também parte de uma potente metáfora proposta pelo diretor artístico Marcello Dantas: a história de dois primos exilados da mesma comunidade na costa oeste africana, no século XVIII, separados entre Salvador, no Brasil, e Charleston, nos Estados Unidos.

“Apenas porque um barco rumou ao norte e outro ao sul e 200 anos se passaram, não foi possível apagar a força de uma chama ancestral que corre no sangue daqueles que vivenciaram a riqueza matricial da África das Américas”, destaca Dantas. “A palavra “ancestral” é comum tanto em inglês quanto em português. É essa origem compartilhada que buscamos evidenciar na arte contemporânea, algo que ultrapassa as barreiras geográficas, linguísticas e culturais”, complementa Dantas.

Neste contexto, serão apresentados trabalhos inéditos das brasileiras Gabriella Marinho e Gê Viana e da norte-americana Simone Leigh, primeira mulher afro-americana a representar os Estados Unidos na Bienal de Veneza. O também norte-americano Nari Ward traz para a mostra um trabalho criado em solo brasileiro exclusivamente para a exposição, no qual incorpora objetos do cotidiano, enriquecendo o intercâmbio artístico entre as nações. O artista Abdias Nascimento, ícone do ativismo cultural no Brasil, com reconhecimento por suas contribuições à valorização da cultura afro-brasileira e detentor do Prêmio Zumbi dos Palmares também faz parte da mostra, que conta ainda a participação da artista norte-americano Kara Walker com sua arte provocativa, que lhe rendeu o prestigiado Prêmio MacArthur.

Outra presença significativa, reconhecida por suas complexas pinturas é Julie Mehretu, artista norte-americana, que acumula uma série de prêmios com suas pinturas que estabelecem um diálogo com a geopolítica atual. Complementando esse panorama, a artista brasileira Rosana Paulino traz um olhar crítico sobre raça e identidade.

Núcleo de Arte Africana

A exposição conta ainda com uma seção especial dedicada à Arte Africana Tradicional, com curadoria de Renato Araújo da Silva, que apresenta a ancestralidade como ponto de partida da criatividade artística. A proposta é aproximar a herança africana das manifestações contemporâneas desenvolvidas a partir dessa matriz cultural no Brasil e nos Estados Unidos.

“Essas obras representam continuidades e transformações ao longo do tempo, revelando tanto a força de tradições transmitidas por gerações quanto às inovações decorrentes do contato com novas culturas e contextos”, afirma o curador.

SERVIÇO

Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
Endereço: SCES Trecho 02 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Especial Sul – Brasília – DF

Exposição: “Ancestral: Afro-Américas”
Período: de 3 de março a 3 de maio, das 09h às 21h (entrada na galeria até às 20h40)
Galerias: 1 e 2
Classificação indicativa: Livre
Ingressos em: www.bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB Brasília
Entrada gratuita, mediante retirada de ingresso

Informações: 

Fone: (61) 3108-7600
E-mail: ccbbdf@bb.com.br
Site: bb.com.br/cultura
Instagram: @ccbbbrasilia
Youtube: Bancodobrasil